Nasce em 1910, em Buenos Aires, capital argentina, no bairro Palermo, e em grandes dificuldades.
Resumo sobre a carreira esportiva
Iniciou sua carreira de jogador, vestindo a camisa do Club Roches Noires, de Casablanca (Marrocos), depois jogou no Racing Club de Casablanca (1931/34), nos clubes franceses de: C.A.S.G. de Paris (1932/33), Olympique di Charleville (1934-37), Excelsior de Roubaix-Tourcoing (1937-39), Red Star (1940-42), Entente Stade Français-CA (1942/43), Paris-Ile de-France (1943-44) e por ultimo no JS Puteaux, onde conclui a como jogador-treinador ao mesmo tempo.
Na sua carreira de técnico treinou: Stade Français (1945-48), Valladolid (1948-1949), Atlético Madrid (1949-1952), Málaga (1953), Deportivo de la Coruña (1953), F.C. Sevilla (1953-1957), O.S. Belenenses de Lisboa (1957-1958), F.C. Barcelona (1958-1960 e 1980-1983), F.C.Internazionale de Milão (de 1960 ao 1968 e 1973-1974), A.S. Roma (1969-73), Rimini Calcio (1976-1977 e 1978-79).
Treinou também as seleções de: França (1946-1948), Espanha (1959-1962) e Itália (1966-1967).
A infância
Na miséria que se mostra ao seu redor, o pai Paco, marceneiro, decide de procurar a sorte longe daquele lugar. Decide de viajar em direção da África, precisamente em Marrocos, Casablanca, onde Helenio Herrera passa toda a sua infância. Foi próprio ali que Herrera conheceu uma das suas grandes paixões: a popularidade. Com apenas oito anos de idade, graças a um grupo de militares, Helenio aprende a lutar de boxe. Ele, mesmo criança, fazia a abertura de grandes encontros lutando contra outros jovens de sua mesma idade. Contra a ironia dos espectadores, Herrera se sentia importante naquele ringue, o coração batia forte e se repetia varias vezes: "Devo vencer, devo vencer..." Naqueles com batimentos logo ele se tornava um personagem muito popular na cidade. "Foi então que eu comecei a entender que quando corria atrás de uma bola, cegamente, a miséria, a guerra, o medo, não existiam mais para mim. Desde então eu comecei a correr..." Disse Herrera na sua autobiografia.
O seu caráter tenaz logo atrai os olhares de muitos, e entra a fazer parte de um pequeno time, o Roca Negra, mas permaneceu pouco tempo, pois logo depois inicia a jogar no Racing Casablanca.
Inicio de carreira, a França
Com apenas 15 anos inicia a fazer parte do elenco principal da equipe, onde joga em varias posições como atacante, meia e por final defensor. Enquanto isto para ajudar a família trabalha de operário, pedreiro e outros trabalhos pesados.
Naquele período alguns clubes franceses procuram novos jogadores na África, e se interessam nele o Club Français de Paris, convidando Herrera para fazer um teste. Mas Herrera não tinha o dinheiro para a viagem, foi um seu amigo que lhe emprestou, e depois de varias dificuldades conseguiu chegar a Paris.
O Club Français oferece a ele um pequeno salário, que ele manda por inteiro para a própria família em Marrocos, e um trabalho, de vendedor de carvão e depois de operário.
Do Club Français passa ao C.A.S.G., depois joga no Stade Français e no Charleville, atuando indiferentemente como volante ou atacante.
Ele disse que se naturalizou Frances, com a obrigação de servir o exercito militar Frances para poder jogar na seleção do pais. Contava ele de ter jogado pela França, mas isto, porém não consta em nenhum arquivo da seleção francesa. Depois da guerra, que ele por pouco evitou não ter de ir, Herrera continuou jogando pelo Stade Français, e ao mesmo tempo freqüentava um curso para técnicos.
Torna-se treinador
Herrera vira assim treinador após deixar de ser um jogador, e treina os Puteaux, time Frances de baixa categoria. Logo depois passa a treinar o Stade Français. Próprio treinando o time Frances, depois de dois amistosos na Espanha, contra o Atlético Madrid, muitos clubes espanhóis se interessaram por ele, que acabou no Valladolid, para pegar experiência. Consegue conquistar o objetivo do time de permanecer na Maxima série espanhola e o ano depois a sua carreira começa a encher de glorias. Pois, treinando o Atlético de Madrid ele conquista dois campeonatos consecutivos e um segundo lugar.
O clube troca de presidente, surgem alguns problemas com a nova diretoria e Herrera pede as demissões. Acaba treinando o Málaga sem conseguir salvar o time do rebaixamento.
Treina o Deportivo La Coruna conseguindo permanecer na Liga, o ano depois se torna técnico do Siviglia, e depois de três ótimas temporadas guiando a equipe, o presidente morre, e com o seu sucessor a presidência nascem problemas insuportáveis para Herrera, que decidiu de ir de férias e não voltar mais. A Federação Espanhola decide de suspender Herrera, e ele decide de emigrar em Portugal, treinando os Belenenses.
Por final o Barcelona consegue anular a suspensão de Herrera e assim ele voltava a treinar na Espanha, próprio no clube "blaugrana".
No Barcelona ele vive um período importante, conquistando duas Ligas Espanholas, Uma Copa Uefa e uma Copa de Espanha. Somente na Taça dos Campeões não consegue obter grandes resultados.
Sua carreira na Inter
Mas desde então a Europa toda ficou impressionada e interessada com as suas capacidades. A Inter é o clube que se interessa mais e contata o técnico que para treinar o clube pede dinheiro, muito dinheiro, e prêmios dobrados com a promessa de conquistar o Scudetto em menos d três anos. Angelo Moratti acontenta as suas exigências e Herrera chegava a ganhar um salário que valia o triplo de seus melhores colegas.
Logo da uma nova energia para todo o ambiente, os seus métodos tanto criticados quanto admirados, viraram lenda. Nas paredes dos vestiários, o técnico encheu de frases e cartazes com escrito: "Jogando individualmente, você joga para o adversário; jogando como coletivo, você joga para si mesmo", "O futebol moderno é velocidade. Joga rápido, corre rápido, pensa rápido, marca e se desmarca rápido".
O inicio explosivo das partidas da Inter surpreende o inteiro campeonato italiano, e demonstra na perfeição aquilo que o técnico pede. "Taca la bala" (ataca a bola) era a inesquecível frase pronunciada varias vezes por Herrera.
Mas o time em Fevereiro inicia a se sentir cansado, perde partidas e posições no campeonato. Algumas criticas iniciavam a se mostrar, dizendo fosse um normal problema físico devido a preparação, outros diziam fosse doping. As acusas angustiam Herrera ao ponto que decidiu de largar o time e treinar a Espanha durante a Copa de 1962.
O presidente Angelo Moratti sem saber o que fazer decide de contratar o técnico revelação do campeonato, aquele do "milagre Mantova" que respondia ao nome de Edmondo Fabbri.
Porém após o final da Copa do Mundo, na surpresa geral, Herrera voltava para a Inter, como se nada tivesse acontecido. Fabri assim vinha "despachado", mas de li a pouco tempo iria se tornar o novo técnico da Seleção Italiana, sem conseguir grandes resultados.
Quando ele voltou, em 1962, a musica foi diferente. No seu terceiro ano guiando a Inter, Herrera começou a vencer. Mesmo que muitos críticos, entre eles o famoso escritor Gianni Brera, não eram muito concordes no dizer que todas as vitorias fossem graças ao "Mago". "Quando no terceiro ano, a situação parecia afundar, foi Ângelo Morte a intervier pessoalmente. Escutando os jogadores e alguns amigos, o presidente obrigou o técnico a tirar de o elenco titular Buffon, que já estava em idade muito avançada, e colocar em campo Bolchi e Maschio", escreveu o jornalista. Mas na verdade, o momento decisivo foi quando Herrera lentamente tirou Maschio do elenco de titulares para dar espaço ao jovem Sandro Mazzola, que trouxe aquela energia física e uma grande técnica que o time tanto necessitava para conquistar os títulos.
A "Grande Inter"
Herrera e Rocco, dois dos maiores treinadores da historia do futebol italiano
Foi próprio assim que nasceu a "Grande Inter", em meio de grandes talentos e grandes polemicas, quase sempre criadas próprio por Herrera para estar sempre no centro do interesse de publico e mídia. Com ele nasceu a figura de técnico e personagem. E o seu grande rival, Nereo Rocco, foi o primeiro a entender a nova situação, tanto que, houveram grandes discussões e polemicas entre os dois.
A "Grande Inter" foi a obra-prima de Helenio Herrera, equipe que conseguiu virar lenda pela sua elegância quanto perfeita interpretação do Catenaccio (esquema tático tipicamente italiano, baseado em defesa e contra-ataque).
O esquema a dizer a verdade era desconhecido ao técnico no momento que ele chegou à Itália. Foram suficientes, porém poucas partidas e a pressão do presidente a fazer ele mudar de idéia, realizando uma das suas maiores revelações, quer dizer, transformar o lateral Picchi em um grande libero. E quando alguém falava que o Catenaccio não fosse uma sua invenção, Herrera dizia que fosse ele a ter inventado este esquema, pois já aos seus tempos de jogador ele como capitão usou jogar como libero, próprio incentivando uma idéia defensiva.
Entre uma conversa e uma nova tática, Herrera vencia como nunca ninguém tinha conseguido antes. Com ele a Inter conseguiu ser primeira quatro vezes consecutivamente no campeonato, e só o desempate com o Bologna em 1964, impediu Herrera a conseguir o penta campeonato. De clube quase desconhecido fora da Itália, a Inter se tornou uma estrela conhecida em todo o mundo.
Todo o sonho acabou na primavera de 1967 que na distancia de poucos dias o time perdeu todos os títulos que estava perto de conquistar. Um knock out que a equipe não conseguiu se levantar mais, e nem mesmo "o Mago" que mais ou menos próprio naqueles dias pediu as demissões de técnico da Seleção Italiana, treinada ao lado de Valcareggi.
As polemicas como sempre foram duras e acusaram ele de ter usado a Seleção como um brinquedo, de usar e jogar fora. Mas na verdade ele estava já pressentindo que uma era estava terminando, e que a paciência de sempre de Moratti teria tocado o seu limite com o cargo dobrado, treinando a seleção, principalmente quando já não vencia mais com a Inter.
Mesmo assim Herrera tentou dar regularidade ao renovamento da equipe, mas a quinta posição final no campeonato e o abandono a presidência de Angelo Moratti, levaram ele a decisão de deixar a Inter.
Técnico da Roma
Foi assim treinar a Roma, com o presidente Francesco Ranucci, mas em breve a Roma também trocava de presidente, e com o novo, Alvaro Marchini, não foram rosas e flores. Herrera pretendeu um salário estrondoso, que chegava a 258 milhões por ano. Foi mandado embora por falta de resultados, em 1971. A torcida romanista se revoltou com a decisão do time, e obrigou o presidente a deixar p clube, assim o novo presidente da Roma, Gaetano Anzalone, como primeira coisa contrata de novo Herrera, e assim acalma a torcida.
Em cinco anos, consegue conquistar somente uma Copa Itália. Depois, foi de novo mandado embora, no Abril de 1973, e foi com raiva. Em Roma encontrou sua esposa, Fiora Gandolfi, que deu a luz ao seu sétimo filho.
De volta para a Inter
De Roma saiu só quando a saudade bateu forte no presidente interista Ivanoe Fraizzoli, nas lembranças do glorioso passado. Tentaram assim reviver e fazer tornar os velhos triunfos. Herrera logo consegue aquilo que sempre desejou e Moratti sempre lhe negou: a venda de Mario Corso.
Esta vez o esquema tático proposto de Herrera seguia aquele do Ajax, e os jogadores da equipe mal suportaram as mudanças. Em Fevereiro de 1974, uma forte pulmonite destabilizava Herrera ao ponto de acabar internado no hospital. Acabava definitivamente assim a historia de Herrera na Inter.
Continuou sendo um grande polemico mesmo não treinando mais. Tornou-se conselheiro do presidente do Rimini (Bonanno), na Serie B, onde ficou apenas dois meses.
Seu final de carreira no Barcelona
Com mais de 60 anos de idade, e parecia já ter terminado sua grande carreira, chega à surpresa a chamada do Barcelona, que estava em grave crise de resultados. Herrera parecia aquele de vinte anos atrás, com a mesma força e motivação, e consegue assim levar o Barcelona para a Copa Uefa. No ano seguinte ele conquista o seu ultimo grande titulo: a Copa del Rey de Espanha, em 18 de Junho em 1981, contra o Sporting Gijon em um Camp Nou lotado.
Terminada sua carreira foi morar em Veneza, e aparecia de vez em quando em alguns programas televisivos deixando comentários polêmicos. Brilhante e irônico, sempre atualizado, viveu anos tranqüilos até o dia em que faleceu, em 9 de Novembro do 1997, a causa de um enfarte.
Os títulos
Jogador
1 Copa da França: Red Star (1942)
Treinador
2 Copas Intercontinentais: Inter (1964 e 1965)
2 Taças dos Campeões: Inter (1963/64 e 1965/66)
3 Campeonatos Italianos: Inter (1962/63, 1964/65 e 1965/66)
1 Copa Uefa: Barcelona (1959/60)
4 Liga da Espanha: Atlético Madrid (1949/50 e 1950/51) e Barcelona (1958/59 e 1959/60)